quarta-feira, 30 de abril de 2014

PASTOR DRAG QUEEN?

Se você ainda não viu, veja agora a entrevista com o Líder Pastoral Marcos Lord, da ICM Betel, que se transforma na Drag Queen Luandha Perón. A entrevista surtiu ampla repercussão na mídia, fazendo com que Marcos Lord concedesse entrevista ao Jornal O Globo, Extra, Folha de São Paulo e aparecesse em reportagens do SBT e de outras TVs do Brasil e da América Latina. Veja

1. Entrevista Original ao Programa Igreja Inclusiva:



2. Reportagem do SBT:






Mais informações em www.betelrj.com ou em www.icmbrasil.com

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Não toqueis nos meus ungidos!

   "Não toqueis nos meus ungidos, e não maltrateis os meus profetas"
                                                                                 Salmo 105:15


Mordaça pastoral

       Está circulando por estes dias na rede um vídeo de um famoso líder religioso, ameaçando a seus seguidores para não contestarem lideranças religiosas, pastores e afins. "Quem é que toca no ungido do Senhor e fica impune?",  "Teu pastor é ladrão, teu pastor é pilantra?... Sai de lá e vai pra outra igreja", "eu já vi gente morrer por causa disso", "não concorda sai da igreja", são algumas das máximas do religioso. Veja:


     Que o cidadão citado é um cara de pau, que inclusive pede dízimo de desempregado e o valor do aluguel para quem está passando aperto todos já sabiam, não é novidade para ninguém o tipo de "liderança" deste senhor. Mas, a prova de sua neciedade e de sua ambição sem controle está no uso manipulado da Palavra de Deus, ao citar o Salmo 105:15 para justificar a ameaça aos crentes que pensam em denunciar os ladrões travestidos de pastores.
   "Não toqueis nos meus ungidos!", diz a Palavra, em referência aos patriarcas da Antiga Aliança, e não em nome de bandido, estelionatário e safado, que usa a palavra de Deus e a posição pastoral para ganhar dinheiro, fama e tosquiar as ovelhas. 
     Tenho muitas críticas ao atual modelo pastoral adotado na contemporaneidade, inclusive já escrevi sobre isso em 2010, em Pastores, Sacerdotes ou Ídolos, inclusive lá expliquei que nas igrejas primitivas não existiam pastores, como o cara-de-pau supracitado, mas pastores, presbíteros, que juntos conduziam o rebanho a eles confiado. Sou um democrata e não gosto do cheiro da monarquia.
     Mas, como tudo que não presta circula, essa modinha de "não toqueis nos meus ungidos" já existe do lado de cá, nos arraiais inclusivos. Não é impossível você ouvir a citação do versículo, descontextualizado, quando há comentários sobre a desonestidade de líderes espirituais inclusivos. 
     "Não toqueis nos meus ungidos" não pode ser desculpa para a safadeza e a desonestidade, para gente sem ética e moral para conduzir o rebanho do Senhor. Por isso, não se cale, denuncie, você não vai morrer! Não saia de sua igreja deixando outros sendo enganados por gente sem escrúpulos. Não peque por omissão, aja!
      Lembre-se, se existe um ungido/a do Senhor hoje em dia este/a ungido/a é VOCÊ (1Pe 2:9) e não qualquer líder religioso em seu pedestal de idolatria.

     Deus nos abençoe!

     Diác. Luiz Gustavo
     Líder Pastoral Interino - ICM Baixada Fluminense
     Corpo Diaconal - ICM Betel 

domingo, 26 de maio de 2013

DRAG QUEENS E A INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

"Disse-lhes Jesus: 


    




Esta semana fui bombardeado com uma notícia que me chocou e entristeceu profundamente: minha amiga Drag Queen Tchaka (a da foto) foi com um amigo nosso em comum, o Bill Santos, prestigiar a inauguração da Igreja Contemporânea que recentemente abriu uma filial no Tatuapé São Paulo. Conforme o relato que recebi dela (https://www.facebook.com/dario.neto.585/posts/567642563258480?comment_id=6309617&offset=0&total_comments=6&notif_t=share_comment), sua presença, naquela comunidade supostamente inclusiva, causou incômodo, sobretudo, à sua liderança. Segundo a artista paulistana, ao chegar montada na Comunidade, foi recebida com olhares e pouca intimidade pelos presentes. Ao conversar com o assessor de imprensa da "igreja", Bill ouviu dele que a presença dela era agressiva e o que uma mãe pensaria, vendo uma foto de uma drag queen no site da igreja. Algumas semanas depois, o líder dessa comunidade, Marcos Gladstone, encaminhou uma solicitação à nossa amiga para que fosse desmarcado das fotos de divulgação, de modo que não tivesse a imagem da igreja Contemporânea vinculada a uma drag queen.
           

sábado, 25 de maio de 2013

POIESIS, AESTHESIS E KATARSIS: A TRINDADE NA ALMA HUMANA E NA TOMADA DE CONSCIÊNCIA.




            Desde a Grécia antiga, a linguagem como produtora de sentido foi objeto de atenção de filósofos, artistas e médicos. Como produtora de sentido a linguagem é entendida como poiesis, cujo ato de criação, identificado como aesthesis produz efeitos de sentido no espírito humano, provocando a katharsis. De origem médica, esse termo significa o ato de purgação e purificação. Com Aristóteles, esse conceito, em sua Poética, terá o sentido de libertação produzida pela tragédia ou pela comédia. Duas coisas importantes a se observar aqui: poiésis, aesthesis katarsis não são entendidas de modo separado enquanto conceito de procedimento artístico desde os gregos até os teóricos da arte e filósofos modernos, mas intrínsecas entre si. Se fazemos esta distinção, é unicamente para fins didáticos deste texto. Além disso, não pretendemos abordar o uso histórico desses termos para não tornar o texto cansativo.

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Deixa o meu povo ir... (Êxodo cap. 4 em diante...)






Navegando pela Internet, nesta segunda-feira, deparo-me com notícias referentes ao projeto de lei que criminaliza a prática do Candomblé na Cidade de Salvador, Bahia.
Disfarçado de “defesa dos animais”, o racismo brasileiro adquire mais uma face e, pensando bem, ele nunca mostrou sua verdadeira face pois possui muitas e possui em si, a marca de Caim. Com bem pouco esforço, conseguimos identificar esse racismo que é estrutural, e também, religioso.
Resiliente que é, meu povo está atento e enfrenta com bravura mais esse atentado contra a liberdade religiosa na incipiente democracia brasileira.
Diante disso, gostaria de lembrar uma história que aprendi desde criança :




Moisés e a abertura do Mar Vermelho
Certa vez, um deus novo se apresentou a um homem. Esse deus fez com que um arbusto queimasse, mas não virasse cinza e o incumbiu de dizer ao rei que libertasse o povo que estava escravizado para que este povo oferecesse sacrifício de animais no deserto. O homem foi ao rei e disse tudo o que o deus havia mandado, mas o rei não autorizou a ida do povo para sacrificar animais e ainda por cima intensificou a opressão contra o povo.
O deus ficou irado e enviou uma série de castigos sobre o rei e seu povo porque eles se opuseram à saída do povo para sacrificar os animais pra deus. Esses castigos foram 10, inclusive a morte de seus filhos. O povo, sob a liderança deste homem se organizou e cumpriu a ordem que era de ir ao deserto para sacrificar!
Marchando fixamente em direção ao objetivo, o povo perseguido e escravizado saiu em direção ao deserto, mas se deparou com um mar à frente. A ordem do deus foi clara: Marchem! O mar, que até então, parecia intransponível, se abriu e o que era dificuldade, a partir da organização e foco do povo, tornou-se em testemunho da grandeza de sua fé!




Certamente muitos já reconheceram a história e estão já me criticando por relacionar as duas realidades.
Quero dizer aqui que a posição do oprimido em relação ao opressor deve ser de organização, denúncia, unidade no objetivo e fé!
Essa é uma mensagem a um povo que foi e é, até hoje oprimido pelo racismo religioso. Esse povo também é meu! Não pretendo aqui cristianizar a discussão, mas apresentar um modo e um incentivo para que meu Povo de Santo não se curve diante daqueles que só querem nos matar. E porque chamo 'meu povo'? Porque a opressão nos une! Porque a ancestralidade nos une, porque a fé e a resiliência deve ser nossa bandeira!




Penso que o texto poderia ser melhor elaborado, mais coeso, mas a emoção não deixa a coesão passar!




Minhas mãos nas vossas, meu povo! Digam ao povo que marche!

Dc. Jeferson Rodrigues
Servo daquele que serve!

sábado, 17 de novembro de 2012

Sobre sexo, santidade, moralismo e hipocrisia



 

Não tolerem os que tentam governar a vida de vocês, exigindo reverência e insistindo em que vocês se juntem a eles em sua obsessão por anjos e visões. É tudo conversa fiada. Eles não têm nenhum contato com a fonte da vida, Cristo, que nos reúne a todos numa única peça, e seu fôlego e seu sangue passam através de nós. Ele é a Cabeça; e nós, o corpo. Só teremos um crescimento saudável em Deus se ele nos nutrir. Assim, se com Cristo vocês deixaram para trás aquela religião pretensiosa e infantil, por que agora se permitem intimidar por ela? “Não toquem nisto! Não provem aquilo! Não cheguem perto daquilo!” — acham que essas coisas que hoje estão aqui e amanhã desaparecem são dignas de atenção? Ditas em voz alta, essas ordens podem
impressionar. Chegam a parecer religiosas, evocando humildade e sacrifício. Mas não passam de outra forma de autoprojeção, de parecer importante.   Colossenses 2:18-23 - Bíblia A Mensagem


  Sim, não sou político quando critico as permanências fundamentalistas de algumas lideranças das diversas igrejas inclusivas. Não tenho medo de cara feia, de bloqueios em redes sociais ou xingamentos via email. O discurso da Igreja Inclusiva, ao meu ver, em primeiríssimo lugar, deve buscar achar o que se havia perdido, dando preeminência às ovelhas perdidas da "casa de Israel". (Lucas 9:10; 15:24). E, em segundo lugar, deve combater profeticamente os discursos segregadores, opressores e excludentes, sejam eles advindos do mundo ou de dentro das igrejas, incluindo-se as pretensamente inclusivas.
     A gente critica, construtivamente, a quem amamos, assim como os profetas da antiga Aliança clamaram contra a opressão, a tirania e os desmandos das lideranças de Israel, sua pátria amada. 
     O moralismo, ou melhor, o falso moralismo, típico das igrejas fundamentalistas, também está presente no seio de algumas comunidades inclusivas, que, com um discurso aparentemente santificador, busca controlar as ações, os pensamentos, as atitudes, os comportamentos, enfim, as vidas de seus afiliados. (Colossenses 2:18,21).
     Moralismo nada tem a ver com santidade, que é um processo natural na vida de todo aquele que encontrou a Cristo e, que, a cada dia, de glória em glória, vai sendo transformado, até chegarmos todos juntos ao Dia Perfeito. (2 Co 2:3). Moralismo é discurso vazio. É discurso de quem quer parecer mais santo, mais puro e perfeito que os demais, mas que na realidade, esconde trevas e uma vida religiosa artificial. 
     A ênfase de nosso discurso está naquilo que mais nos tenta. Aliás, como diz o apóstolo Paulo, o mandamento, por causa do pecado que habita a nossa carne, nos induz ao pecado. (Romanos 7:11) Quanto mais listas de proibições eu fizer, e pregar, e ordenar que os outros obedeçam, tantas regras mais desta mesma lista eu quebrarei. 
     Tempos atrás, numa das pegadinhas do Programa Sílvio Santos, havia algo como se fosse um container, com um pequena janela, com uma placa onde se lia: "Não olhe". As pessoas passavam olhando, curiosas, e muitas foram olhar por tal buraco, de onde pulava uma mão, assustando as pessoas. Isso ilustra bem o que somos, todos nós, seres humanos, caídos em Adão, sujeitos ao pecado. Miseráveis homem e mulheres somos, totalmente depravados¹. (Romanos 15:24)
     A Igreja Inclusiva, chamada para ser uma Nova Reforma na Igreja de Jesus, simplesmente não quer saber de rever, de reler, de reconstruir a fé cristã. A maioria das comunidades não passam de repetições das igrejas fundamentalistas, com a única diferença de aceitarem os LGBTs. Por isso, por subscreverem este discurso falso, repleto de moralismo, que observamos as "quedas" públicas de inúmeros de seus membros.
     É o diácono que prega a  castidade, praticamente em todas as suas pregações, exposto ao ridículo publicamente por ser "viciado" em orgias. É o pastor ou o bispo, hiper moralistas, que traem seus respectivos companheiros. É a pastora, toda cheirosinha e bonitinha, que fuma maconha escondido. É o presbítero, casado, que contrata os serviços dos michês e garotos de programa. 
     Não foi uma, duas ou três vezes que já ouvi essas histórias, seja em aconselhamentos, seja em conversas informais. Os clubes de sexo, as saunas, as labirintos e as casas de sexo estão repletas de membros destas igrejas, incluindo aí as suas lideranças. O discurso não funciona.
     Tempos atrás recebemos em minha comunidade local um rapaz cuja pergunta principal era sobre sexo, sobre se era lícito ou não frequentar locais de "pegação" e afins. A minha resposta? Bem, disse a ele que, visto que era maior de idade, um homem feito, eu não poderia dizer para ele o que era certo ou errado, mas que todos os questionamentos sobre sexo fossem feitos diretamente por ele a Deus, que o responderia através da Palavra e do Espírito Santo. O rapaz não gostou da resposta e ainda disse que nós (a minha igreja) éramos permissivos. Tempos depois a bomba estourou e ficamos sabendo que o dito rapaz era um frenético frequentador de uma famosa rua de pegação no centro do Rio de Janeiro.
     Muitas das lideranças que foram "desmascaradas", tomaram do próprio veneno que produziram. Tentaram criar uma imagem e uma aura de "santidade" que jamais existiu, tendo então sido envergonhados publicamente. Muitos perderam a fé, outros têm pavor da palavra "Igreja Inclusiva" e, inclusive, fazem propaganda contrária a este nome.

     O moralismo não deve ser o foco de nosso discurso enquanto Igreja Inclusiva. Caio Fábio diz que parece que Satanás coloca lentes de aumento na genitália dos crentes, para que, mirando onde não deviam, esqueçam das coisas mais importantes. Somos mais que pênis, vaginas e ânus. 
     Ao invés de escrever livros que só tratam da temática sexual, num viés purista e burguês, por que não escrevemos sobre a Inclusão Radical, sobre ajuda aos necessitados, sobre uma nova ética, baseada no Evangelho, sobre oração, sobre uma nova vida para os que sofrem? Por que não clamamos por aqueles que estão sendo pisados pela bota do opressor? Por que não defendemos o direito do pobre, do órfão e da viúva? (Tiago 1:27)
     Quando falamos de sexo por que não somos honestos, por que não respeitamos as relações que não seguem o padrão heteronormativo e que possuem acordos próprios? Por que não falamos de AIDS e prevenção de maneira honesta, sem hipocrisia? Por que nossa ênfase está no sexo? Somos só sexo? Somos um bando de vaginas e pênis ambulantes? 
     Está na hora de crescer, parar com as proibições que só induzem à compulsão. Somos homens e mulheres, chamados para uma obra muito maior do que esta que estamos construindo. Repito: a missão da Igreja Inclusiva é reformar a Igreja de Jesus. A reformaremos repetindo as babaquices e as querelas das igrejas que se perderam na inutilidade de seus discursos fundamentalistas? 
     Queremos ser igrejas de fato inclusivas, ou clubes de lésbicas e gays crentes fundamentalistas? Até quando iremos expulsar o pecador ao invés de acolhê-lo? Até quando faremos do sexo os nossos ministérios?

     Igrejas Inclusivas, despertem para a urgência de nosso chamado!

     Diác. Luiz Gustavo

¹ A DEPRAVAÇÃO TOTAL é um dos cincos pontos da doutrina calvinista. Para os calvinistas todo homem e mulher são caído em Adão e submissos ao pecado. A escolha do pecador será sempre o pecado. Se não existir a intervenção divina, para o resgatar do pecado e o fazer escolher o bem, o homem morre em seus pecados, sem Deus e sem salvação.
    
    
    

domingo, 20 de maio de 2012

"Marcha para Jesus" ou para Malafaia?

     


 Propriedade da foto
 

     Ontem, 19 de Maio de 2012, reuniu-se no centro da cidade do Rio de Janeiro, a chamada Marcha para Jesus, organizada pelo sr. Silas Malafaia. Eram cem mil pessoas, segundo a Polícia Militar, que estavam ali "em favor da liberdade de expressão, da vida, da liberdade religiosa e da família tradicional." Segundo o sr. Malafaia, este ano a Marcha ganhou novos objetivos: “Estamos introduzindo nela são as posições que acreditamos. Antigamente ela era apenas uma marcha profética para abençoar a cidade”, explicou o líder religioso.¹
     Durante toda a duração da Marcha, Malafaia, esbravejava contra o PLC 122 (projeto de lei que visa a criminalizar a homofobia), acusando os LGBTs de quererem instaurar uma "ditadura gay" no Brasil, com o intuito de calar a "maioria cristã".
     Malafaia acusa lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros de serem o grupo mais intolerante da pós-modernidade, e afirma que "uma minoria não pode decidir os rumos da maioria cristã do país".
     Numa espécie de teoria da conspiração moderna, Malafaia ensina aos seus seguidores que os LGBTs querem tomar o poder no país, com uma estratégia que visa a transformar o mundo em um lugar onde não mais existirão diferenças sexuais, onde todos serão "pervertidos". 
     Recentemente lançou por sua editora a "obra" A Estratégia - o planos dos homossexuais para transformar a sociedade, de Louis P. Sheldon, que difunde este pensamento. Sheldon afirma que os homossexuais possuem um "plano diabólico para destruir o ser humano."
     Querendo entender mais um pouco como pensa Silas Malafaia basta ler seus artigos em seu site pessoal, ou no site de sua Igreja, uma dissidência das Assembleias de Deus. Ele não esconde o que pensa e, com muita voracidade tem pregado, insistentemente, contra as pessoas LGBTs.
     Malafaia, intitulado "pastor" por um segmento dentro do pentecostalismo, é na realidade um fascista e, como todo fascista, um covarde. Descobriu uma forma de ganhar dinheiro fácil, endossando o discurso dos grupos ultraconservadores da evangelicalismo no Brasil, sobretudo entre os neopentecostais.
     A igreja evangélica ainda não se deu conta do problema chamado Silas Malafaia, ou se percebeu, como fez na ditadura militar brasileira, se calou covardemente. Este senhor representa a propagação de um anti-cristianismo, baseado no ódio e na intolerância contra grupo específico, nós lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.
     O discurso de ódio não provém somente de Malafaia, ele é um tótem, um baluarte do pensamento conservador, reacionário e segregacionista. Há  suporte para o seu pensamento. Mas, como tótem,  Malafaia descobriu uma maneira confortável para voar de avião, hospedar-se nos melhores hóteis do Brasil, e andar nos melhores carros.
     Há enormes similaridades entre o pensamento nazi-fascista de Adolf Hitler e de Silas Malafaia. Aquele elegeu grupos como bode expiatório de seu ódio (judeus, ciganoos, testemunhas-de-jeová, homossexuais e outras minorias), como forma de identificar um "inimigo" comum e forjar a "unidade" alemã. Este, Malafaia, aos moldes de seu pai intelectual, faz algo semelhante. Identificou um "inimigo" comum aos neopentecostais fundamentalistas, os LGBTs, e a estes coloca como bode expiatório de seu ódio doentio.
     Malafaia sabe que seu discurso produz o ódio, tem consciência disso, mas nega, afirmando que está amparado pela Constituição Brasileira, que lhe garante liberdade de expressão. Todo LGBT que cai morto vítima da homofobia, filha do pensamento fundamentalista religioso, é vítima, de alguma forma, do discurso fascista de Silas Malafaia.
     A Marcha para Jesus tornou-se uma marcha do ódio, da intolerância, da morte. Malafaia é um portador da mensagem de morte. O direito que ele deseja não é o de liberdade para se expressar, mas liberdade para matar, sim matar! Pois o ódio produz morte, assim como o amor produz a vida. 
     O discurso de ódio de Silas Malafaia nada tem a ver com o Evangelho de Jesus Cristo. A Marcha para Jesus é, na realidade, uma Marcha para Silas Malafaia, ou seja, para o ódio fascista, encubado nas mentalidades conservadoras e reacionárias.
     Ao contrário de nós, LGBTs, Malafaia e seu discurso possuem muita força. Possuem Programas de TV, emissoras de rádio, imprensa e editoras. Possuem uma bancada parlamentar com mais de sessenta representantes. Possuem dinheiro, ou seja, poder. Quem está ganhando com isso? O que ganha a sociedade brasileira, conhecida pela sua tolerância religiosa, com o discurso preconceituoso dos fundamentalistas ligados à Silas Malafaia? 
     Ninguém ganha nada, e uma minoria perde. Os LGBTs tem tido seus direitos negados, sua dignidade ferida, para incrementar o ego doente dos fundamentalistas religiosos, sedentos por poder, ou seja, por dinheiro.
     Os fundamentalistas não marcham para o Senhor Jesus Cristo! Marcham, unidos a Satanás, e a Malafaia, claro, rumo ao poder, assim como os nazistas o fizeram no século passado.
     Temo, realmente temo. Eles não chegarão ao poder, já estão lá, e fazem estragos no Estado Laico brasileiro. Campos de concentração, sim eles desejam! Desejam clínicas para a "recuperação" de gays e lésbicas e, por isso, lutam contra o Conselho Federal de Psicologia, que proibe seus associados de realizarem qualquer tentativa de reversão de sexualidade, uma vez que isto é uma impossibilidade.
     Temo, temo os maus, mas ainda acredito na força dos bons.
     Jesus venceu a morte e o mundo derrubou os nazistas do poder. Ainda há esperanças contra este avanço da morte nos campos brasileiros. Os profetas ainda sobrevivem, e mesmo sem poder, continuarão a denunciar esta perversão, que se utiliza do Evangelho de Jesus, o adultera pelo ódio, na busca insana pelo poder.
     Nós não nos calaremos, ainda que tenhamos que pagar com a prória vida.

     Heil, Silas!

     Diác. Luiz Gustavo.
     
   
 




segunda-feira, 30 de abril de 2012

A União das Igrejas Inclusivas


"... para que todos sejam um; assim como tu, ó Pai, és em mim, e eu em ti, que também eles sejam um em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste.
E eu lhes dei a glória que a mim me deste, para que sejam um, como nós somos um;
eu neles, e tu em mim, para que eles sejam perfeitos em unidade, a fim de que o mundo conheça que tu me enviaste, e que os amaste a eles, assim como me amaste a mim." 
João 17:21-23




     Reportagem da BBC Brasil de 27 de Abril aponta o número de cerca de 10.000 fiéis e 40 comunidades de fé inclusivas no Brasil em 2012.* Isso é maravilhoso!
     Apesar de toda a oposição e de todas as dificuldades pelos nossos inimigos em comum estamos conseguindo crescer. E, junto com o crescimento das igrejas inclusivas, cremos também no crescimento da tolerância e do respeito aos LGBTs, não apenas cristãos, mas de todas as fés e, também, daqueles que não professam fé alguma.
     Nosso trabalho ainda é enorme, precisamos avançar muito nas veredas que o Senhor construiu para nós. Mas, existe um empecilho interno, um anjo de Satanás, colocando pedras no caminho das Igrejas Inclusivas: a vaidade!
     Por que não existe maior articulação e maior comunhão entre as poucas igrejas inclusivas existente em nosso país? Por que há tanta disputa de ego? Por que há corrida para ser "a melhor", "a maior", quando a luta deveria para ser pela maior comunhão e trabalho em conjunto?
     Que tal nos sentarmos juntos na mesa da comunhão, à parte de nossas diferenças teológicas e confessionais? Jesus não é maior que tais diferenças? O amor cristão não tem o poder de derrubar esses muros da vaidade humana e construir pontes de amor que nos une em um propósito?
     Que tal juntos planejarmos ações evangelísticas, ou protestos pacíficos contra a homofobia e a intolerância religiosas? Que tal lutarmos juntos contra o crescimento da AIDS? 
     Por que não fazemos conjuntamente seminários sobre Bíblia, sexualidade, prevenção? Por que juntos não fazemos retiros espirituais, encontros de casais e de solteiros? A nossa vaidade é quem nos salva? Cristo morreu em vão?
     Enquanto uns gritam que são os melhores, as travestis tombam baleadas nas ruas, sem ouvir a mensagem de amor de Jesus Cristo. Enquanto outros buscam a arrogância e a superioridade sobre os demais, há meninos sendo contaminados pelo HIV, pois não ouviram a mensagem da prevenção.
     Eu, pessoalmente, acredito que não há necessidade de existir outros ministérios além da Igrejas da Comunidade Metropolitana, que em sua estrutura agrega diversos grupos cristãos, com visões teológicas múltiplas, mas unidos pelo ideal do amor incondicional de Jesus Cristo. Todavia, se há diferenças e pluralidade de bandeiras denominacionais, vamos no sentar juntos e, não negando nossas identidades, planejar levar o Evangelho de Jesus Cristo aos quatro cantos deste país, deste continente, quiçá, do mundo.
     Que tal? Custa muito atenuar nossas vaidades? Esse é um pedido do Salvador, que morreu por todos, sem distinções, e que não criou as barreiras denominacionais, que por nosso vã egoísmo, surgiram na cristandade.
Vamos comungar juntos do Corpo e do Sangue do Senhor? Tenho certeza de que o que nos une é muito maior do que o que nos separa.

Inclusivos de todo o Brasil - Uni-vos!

Diác. Luiz Gustavo


Travesti diz que igreja inclusiva lhe dá 'liberdade'


Atualizado em  27 de abril, 2012 - 13:48 (Brasília) 16:48 GMT
A operadora de telemarketing Josiane de Sousa, de 25 anos, entrou pela primeira vez em uma igreja 'inclusiva' no centro de São Paulo certa de que ali reviveria um passado que queria esquecer.
Assim como muitos dos atuais membros da 'Igreja Cristã Metropolitana' (ICM), voltada predominantemente para o público gay, ela costumava frequentar uma igreja evangélica, onde cantava no coral.
Josiane de Sousa | Foto: BBC
Josiane foi expulsa de uma igreja evangélica a começar a se vestir como mulher
Lá, segundo ela, o pastor queria que se tornasse "um cantor de sucesso, gravasse cd e até participasse de um reality show" tamanha era sua popularidade.
Tudo mudou, entretanto, quando Josiane, que nasceu homem, revelou que sentia atração por pessoas do mesmo sexo. "Sempre me senti diferente do restante dos meninos", diz.
Expulsa da igreja, Josiane diz ter prometido a si mesma que nunca mais entraria em um templo religioso novamente. Resolveu, a partir daí, assumir integralmente sua identidade feminina. Hoje, omite seu nome de batismo.
Mas levada por um namorado à ICM, uma igreja inclusiva, Josiane mudou de ideia. "Aqui posso demonstrar o talento que Deus me deu sem sofrer qualquer preconceito", afirma.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Onde está Satanás? Identifique!


Sim, eu acredito na existência do "Diabo". Porém, nunca o vi agir metafisicamente, espiritualmente. Se existe um "Diabo" e um Satanás este age através de pessoas.
São PESSOAS que pregam o mal, o desemor, a intolerância, o ódio, o preconceito. Tudo isso é fruto desse tal "Satanás", que é o opositor do bem, do amor, da tolerância, da alegria, da inclusão.
Satanás tem boca, tem olhos, tem mãos, tem mente. Não é um ser pairando sobre os ares, escondido atrás dos ídolos sem boca dos pagãos. Satanás está no meio, no seio, dentro da igreja institucional, tentando a todo custo destruir a obra do Cristo.
A mitologia apocaliptica informa-nos onde está Satanás. Ele não está num inferno subterrâneo copiado do Hades grego, muito menos em qualquer "universo paralelo" dos místicos cristãos. Satanás foi expulso do "céu", da presença de Deus, e lançado pros lados de cá, pra Terra. E aqui ele está, desde a fábula edênica. 
É aqui que os homens matam, roubam, destróem, despropriam, desapropriam. É aqui que os homem fazem tudo isso e colocam a sua culpa neste ser, que só existe e se torna corpóreo pelo agir de suas mãos!
E este "Satanás" tem sido de muita utilidade para seus próprios "filhos". Os mesmos que matam (às vezes mesmo sem a violência física, mas com a simbólica), roubam, destróem, despropriam e desapropriam são os que desviam o foco de si mesmos, demonizando os diferentes a si, vestindo a fantasia da santidade, comportando-se como o joio, em meio ao trigal.
Sim, os "satanases" de carne-e-osso, à moda do ser mitológico inventado em Roma, tem a capacidade maravilhosa de se travestirem de "anjos-de-luz". Mas não o são.
Os da Luz são capacitados pelo Pai das Luzes para identificar o agir, o pensar e a falar opressor, segregador e assassino do "Diabo". A isso chamamos  de "dom de discernimento", fruto do próprio Espírito de Deus.
E, crendo piamente neste dom de discernimento dos crentes (crentes de verdade e na verdade) é que conclamo-os a ver os dois vídeos abaixo e identificar onde está o "Satanás".

Vídeo I - Exu, divindade dos afro-religiosos:


Vídeo II - Silas Malafaia pregando o ódio e a intolerância:




Depois de assistir comente e diga "onde está Satanás?"
O que faria Satanás num terreiro no interior do Brasil, fazendo uma pessoa dançar a noite inteira? Qual o propósito "satânico" disso?
Creio eu que "Satanás" tenha mais o que fazer. Ele está matando, roubando e destruindo, não pela boca dos afro-religiosos, mas pela das dos fundamentalistas religiosos, que pregam o ódio, a intolerância e a opressão.
Sim, é fácil identificar onde está "Satanás". Basta abrir os olhos do entendimento e ver. Deus tem nos mostrado!


Diác. Luiz Gustavo.


sexta-feira, 16 de setembro de 2011

CINE BETEL E FESTA DA PRIMAVERA

A Comunidade Betel - ICM Rio - promove mais uma edição do seu CINE BETEL, com o filme: "A Corrente do Bem", neste sábado, 17/09, às 17h. Logo após haverá a "Festa da Primavera", com quitutes e frutas. Os dois eventos possuem ENTRADA FRANCA!









sábado, 13 de agosto de 2011

Somos inclusivos?

Certa vez, em um artigo, afirmei que ninguém quer um pobre por perto... Esse pensamento não é fruto de um arroubo político, de teorias libertárias e revolucionárias, pelo contrário, é simples constatação do quotidiano, daquilo que muitas vezes elegemos para nós e, em contraprestação, renegamos todo o resto que se difere de um ideal muito próprio e pessoal.

A verdade é que o homem ocidental recusa a ideia de fracasso, de derrota, por um modelo de vida social altamente competitivo, em que, no fim último, são valorizados e reconhecidos aqueles que obtiveram significativas posses materiais, sendo, os restantes, estigmatizados como coitados, indignos, sofredores... Colocados à margem, chegam a causar repulsa em muitos por contraporem o ideal material, capitalizado, desejado e perseguido no imaginário coletivo.

Em uma sociedade de ideal financeiro, em que se vale pelo que se tem, possui, e não pelo que se é, em que a propriedade é colocada acima da pessoa e de sua dignidade, todos aqueles que não conseguem evoluir nesse meio, de um modo ou outro, são marcados pela ausência de uma identidade positiva, em outras palavras, o homem, para sociedade, vale aquilo que ele tem, se ele não tem nada, ele não vale nada!

No meio gay isso é um fator ainda mais excludente, pois uma das características das comunidades homossexuais é: seus membros possuírem um poder aquisitivo acima da média, e um nível de formal pessoal e acadêmica de igual forma elevadas. Entretanto, existem as exceções, e elas não são poucas, e, às vezes, bem mais acentuadas do que se possa imaginar.

Assistindo a esse vídeo abaixo fico a imaginar que, hoje, até para se sentir alguém amado por Deus tem que se pagar por isso. Contudo, somos adeptos de uma teologia inclusiva e o que temos feito para mudar isso? O que temos incluído; será o homem em sua integralidade, ou parte desse homem, em que só se considera humano e alguém, aqueles que têm posses? Fica a reflexão para o nosso modo de ser cristão inclusivo:



segunda-feira, 20 de junho de 2011

Silas "Tetzel" Malafaia


Estava com a intenção de escrever um artigo diferente para esse blog, mas ficará para o mês que vem, afinal, não vou me furtar de pensar, com você, caro leitor, sobre alguns pontos que são necessários dizer!

Esse vídeo aí em cima mostra um suposto pastor evangélico pedindo o DINHEIRO DO ALUGUEL de seus fiéis como oferta em prol de Deus abrir às portas da casa própria! São imagens fortes, estarrecedoras.

Nos Evangelhos nunca vimos Jesus pedir o dinheiro de alguém, nem coisa alguma de ninguém. Quando na multiplicação dos pães e peixes, ele o fez para todos que estavam presentes e com fome. Jesus nunca viu com oportunismo a necessidade do mais pobre como meio de se autofinanciar ou se promover. Jesus não desfilou com limusine em Jerusalém, alugada por 7 mil denários/ dia, nem comprou um avião para anunciar o Evangelho. Gente, ele ia a pé! Ele não adquiriu cavalos, nem carroças, não morou em mansões, e nunca USOU O DINHEIRO DOS QUE NELE DEPOSITARAM A FÉ PARA SEU PRÓPRIO DELEITE.

Jesus é aquele que diz para não ajuntarmos tesouros na terra, e para muitos isso pode parecer loucura, e é! Mas a lógica do Reino não é uma lógica individualista, centrada no eu. Mas uma lógica coletiva, que busca o pobre na sua miséria:

Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde benditos de meu Pai. Possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo; porque tive fome, e me destes de comer; tive sede, e me destes de beber; era forasteiro, e me acolhestes; estava nu, e me vestistes; adoeci, e me visitastes; estava na prisão e fostes ver-me. Então os justos lhe perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? Ou com sede, e te demos de beber? Quando te vimos forasteiro, e te acolhemos? Ou nu, e te vestimos? Quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos visitar-te? E responder-lhes-á o Rei: Em verdade vos digo que, sempre que o fizestes a um destes meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos, a mim o fizestes.

Jesus nunca pediu nada para si mesmo, nem para o Reino, que não fosse à causa do outro, do próximo e do semelhante. O Evangelho que é anunciado, não é o das palavras, mas é do Verbo Encarnado, vivenciado, experimentado. Você pode anunciar Jesus de todos os jeitos, mas, se forem só palavras, então, seu efeito será vazio, desconhecido, inútil:

Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai- vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o Diabo e seus anjos; porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber; era forasteiro, e não me acolhestes; estava nu, e não me vestistes; enfermo, e na prisão, e não me visitastes. Então também estes perguntarão: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos? Ao que lhes responderá: Em verdade vos digo que, sempre que o deixaste de fazer a um destes mais pequeninos, deixastes de o fazer a mim. E irão eles para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.

Agora, olhe para esse outro vídeo, desse monge dominicano que viveu em 1517 na Alemanha, Tetzel:




Qualquer semelhança não é mera coincidência! Cuidado, pois querem explorar sua fé.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

PENTECOSTES (πεντηκοστή)

O dia cinquenta : “hu hu papai chegou!”

Ao ler Os Evangelhos a Luz da Psicanálise, de Françoise Dolto com alguns amigos em minha casa, tenho percebido a importância dos arquétipos da família para uma hermenêutica possível do Evangelho. Hermenêutica inclusiva por excelência; primeiro porque a própria idéia de família implica em seu sentido mais amplo, no de inclusão, apesar das tentativas fundamentalistas milenares na direção contrária. E segundo porque o Supremo Tribunal Federal, a mais alta corte de nosso país julgou procedente a demanda da comunidade LGBT pela emancipação jurídica na constituição de entidade familiar.

Papai, mamãe e filhinhos assumem a partir da minha leitura desta bela obra a perspectiva que um dos maiores gênios da psicanálise, Jacques Lacan elaborou para a questão dos papéis familiares, catapultando seus arquétipos para longe da escravidão dos papéis de gênero e da atividade reprodutiva. Lacan ressalta a paternidade, maternidade e filiação enquanto função, nos possibilitando ver de diversos ângulos a equação familiar: um homem-mãe, uma mulher-pai, um filho-mãe, um pai-filha, uma mãe-filho são algumas das várias possibilidades nesta complexa e riquíssima trama de relações. Então vejamos:

Em virtude da falta de possibilidade de um portal dimensional ou uma máquina do tempo que nos teletranspotasse ao 1º século da “era cristã” podemos apenas imaginar, e talvez no auge de nossa inspiração sentir, a angústia pela qual passavam os apóstolos, fechados em seu próprio medo em uma certa casa de Jerusalém durante os 49 dias posteriores a crucificação de Jesus Cristo.

Não podemos sequer auferir com toda rigidez essa contagem de dias e datação, que pode estar muito mais ligada à construção de uma tradição da Igreja do que provavelmente a acuidade histórica. Mas deixemos a história comprovável (isso é possível?) para a obcessão dos historiadores. E pensemos na vivência eclesial que nos empurra para a frente em nossas vidas diárias. Abracemos a tradição da igreja, mas sempre com o devido cuidado de tradução da tradição.

A magna data de Pentecostes aponta para o início da formação de uma entidade familiar: a cristandade. Entidade familiar diversa, plural, muito longe da noção estereotipada que conduz a homongeneidade nuclear e burguesa de família. Nem tampouco sugere-se uma família de “agregados”, esfarrapada em si mesma e sem qualquer traço de coesão afetiva.

Família com propósitos claros: crescer e multiplicar seus componentes, sejam eles quem forem, venham de onde vierem, cheguem como chegaren. E para isso o derramamento do Espírito Santo vem acompanhado das línguas estranhas/estrangeiras (o original grego aponta para a idéia de OUTRAS línguas ao invés de demarcar o adjetivo do estranhamento) afim de que toda a diferença se expresse na inclusão. Inclusão da tenda verdadeiramente aberta, e não a da homofobia cordial das igrejas fundamentalistas, que recebem o diferente de braços abertos e algemas nas mãos.

A entidade familiar que o Espírito Santo confirma em Pentecostes tem suas portas abertas para fora, e não para dentro. Recebe quem entra mas convida a sair para o mundo, semeando a Boa Nova e anunciando o Querigma do Senhor. Não é a família-conforto, sentada no trono ou paralisada no triplo Sanctus angelical diante do Trono. O Espírito Santo exorta a entidade familiar por ele consolidada à intrepidez e a ousadia; à fronteira e não a demarcação de território.

Família dinâmica a que as línguas de fogo abrasam no dia cinqüenta: cheia de pais, mães e filhos mixados na proposta lacaniana da função dos papéis. Família revolucionária, instável e nem por isso frágil. O cristianismo, hoje religião que menos cresce no mundo (apesar da histeria integrista brasileira) só tem solução na entidade familiar chamada cristandade, que o Espírito Paráclito de Deus tornou possível, e na pluralidade apostólica que pode e deve ser resgatada em nossos dias atuais. O que nos unirá será então apenas a centralidade barthiana em Cristo, aquele que realmente importa, e que nos presenteou e ainda presenteia em Pentecostes com o fogo do Consolador.

Uma família complexa justamente porque marcada pelo mistério divino, (o tremendum sagrado de Rudolf Otto) que condiciona sua formação a ousadia da desconstrução do edifício do ódio ilustrado desgraçadamente em grande medida nos dias de hoje pela homofobia e incitação à violência; muitas vezes diretamente dos púlpitos pastorais, que não comungam da pulsão inicial do dia de Pentecostes, mas se dizem pentecostais.

Neste domingo celebraremos a entidade familiar que Pentecostes anuncia: uma cristandade para todos porque para todos veio o Senhor.

Ecclesia reformata et semper reformanda!

André Sena



“Betel: fé que pensa, razão que crê.”

Visite o nosso site: www.betelrj.com